Olá, seja bem-vindo.
Este blog foi criado no dia 21 de Janeiro de 2010. Será um blog em que apenas publicarei sonetos, nada mais do que sonetos. Espero que os apreciadores deste estilo de poesia me visitem e comentem, façam críticas, para eu melhorar o que tiver de ser melhorado e me alegrar com o que estiver bem feito. Obrigada. FELIPA MONTEVERDE

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pó da estrada

Eu sou o acre pó da tua estrada,
O verme mais nojento, rastejante...
Sou a triste essência de ser nada,
Um pequeno avo, algo insignificante…

Eu sou aquela flor já desfolhada,
Uma ilusão que passou num só instante…
Sou a promessa mil vezes já quebrada
E esta imensa dor dilacerante…

Sou a terra que desprezas e que pisas,
Sou o que tu não queres nem precisas,
Sou as pedras da calçada em teu caminho…

Sou o que não tem valia nem valor,
Tudo o que há de indigesto, de pior...
Sou um cacto… uma chaga… um espinho…

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

“Invejidades”

Não adianta querermos agradar à inveja
Nada do que se faça lhe agradará…
Que cada um se ponha como se deseja,
Melhor lema do que este acho que não há…

Ao invejoso jamais algo bastará
Pois em seu coração tudo que vê deseja…
E nada do que façamos lhe agradará,
Tudo quer e anseia e nada lhe sobeja…

Já tentei agradar… claro que não agradei
Apenas aumentei o sentimento
Que o invejoso em seu peito nutria…

E de tentar agradar já me deixei:
Agora sou quem sou, sem fingimento
Com paz e amor no coração e uma imensa alegria!

(Felipa Monteverde)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Desejos

Eu quero e não quero ser aquilo que sou
Quero e não quero o que queria ser…
E tanto que o quis que o querer acabou,
Sem querer e sem ser como queria viver.

Não quero o que quero e não posso ter…
Não posso querer o que alguém me vedou…
E me vedo o querer, na ânsia de saber
Que não vivo e não quero e a alma o desejou…

Eu sei o que posso e não poderei ter…
Sei o que posso e não devo sonhar…
E vivendo assim, conhecendo o querer

Sonhando estou… sem querer nem cuidar
Que vivo e não vivo por não o saber,
Que quero e não quero deixar-me matar…

(Felipa Monteverde)

Fantasmas

Quando estou sozinha, nunca estou só
Logo os meus fantasmas aqui me vêm ver:
Pensamentos, lembranças, que não quero ter
Me visitam e eu fico de mim a ter dó.

Sou uma enjeitada, que o não quer ser…
Mais vale ser pobre que pobre coitada,
Mais vale iludida que ser enganada,
Mais vale o não ser do que o parecer…

Não sei que pareço a olhos alheios,
Só sei que aos meus desagrada me ver.
Sou uma enjeitada, com tantos receios

Que me parece só males haver
Na minha pessoa… tantos e tão feios,
Tais são os fantasmas comigo a viver…

(Felipa Monteverde)

(Este soneto tem mais de 10 anos, hesitei em publicar porque lhe vejo muitos defeitos. Como não consigo corrigir, aqui vai.)