Olá, seja bem-vindo.
Este blog foi criado no dia 21 de Janeiro de 2010. Será um blog em que apenas publicarei sonetos, nada mais do que sonetos. Espero que os apreciadores deste estilo de poesia me visitem e comentem, façam críticas, para eu melhorar o que tiver de ser melhorado e me alegrar com o que estiver bem feito. Obrigada. FELIPA MONTEVERDE

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Música

Na música a minha alma se eleva
Sobe para o céu e lá flutua;
Pairando entre as estrelas e a lua
Ela se acomoda… e serena...

Gosto de todo o tipo de música;
De tudo, conforme em mim se enleva…
Conforme a disposição ela me actua
E a alma voa… leve como uma pena…

Quando oiço música, eu me elevo e ponho
Num mundo de encanto e de sonho:
Sou princesa de um reino de além-mar…

Sou rainha, sou até imperatriz…
Sou dona de um mundo como eu quis,
Um mundo que só tenho a sonhar…


(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Como jóia que tragas contigo


Um soneto, para verdadeiramente o ser, tem de cumprir algumas regras. Antes de saber isto já eu criava alguns, que depois abandonei ao descobrir a questão das rimas e afins... Mas hoje lembrei-me deste, que estava abandonado num caderno amarelecido, a propósito do aniversário da minha amiga Helô. É que não consegui escrever mais nada, desde então, que defina o que penso a respeito da verdadeira amizade. E resolvi publicá-lo mesmo assim, com os seus defeitos, porque me agrada e sei que a Helô também vai gostar e perdoar estas pequenas imperfeições.
Parabéns pelo aniversário, querida amiga!

Como jóia que tragas contigo

Amigo, se tu tens um amigo
Estima-o, pois vale um tesouro;
Um amigo vale mais do que o ouro,
Podes crer nisto que eu te digo…

A amizade é tesouro sem preço
Muito vale um amigo sincero…
São amigos assim que eu quero
Que os outros depressa os esqueço…

Amigo, se tu tens um amigo
Estima-o, como bem precioso
Como jóia que tragas contigo…

Um amigo é algo valioso
E tão raro… por isso te digo:
Se o tens és sortudo e ditoso!

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Doce meta


(Dedicado a Florbela Espanca, a minha musa)

Fosse eu uma linda flor plantada
Nos jardins do teu peito, meu amor!
A flor mais bela, a mais apreciada,
A mais bonita, com a mais linda cor…

Fosse eu a borboleta alada
Que esvoaça em teu olhar, ao teu redor…
Borboleta feliz, de mil cores pintada
Voando em tua alma, meu amor…

Fosse eu a flor… aquela borboleta…
E seria feliz, seria tão feliz só por te ter
Por em ti conseguir assim viver...

Feliz!... Contigo ser feliz!... Fantasia secreta,
Desejo transformado em doce meta,
Nascido por te amar, só por te conhecer!…

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Manta de retalhos

Uma manta de retalhos é a minha vida
Pedaços e pedaços a compõem;
Uma manta rota e amarelecida
Pelos tempos já passados que a corroem.

É uma velha manta, descosida,
Rasgada pelas traças que a destroem
E que vão destruindo toda uma vida,
Pedaço a pedaço, dilaceram e moem…

Embrulhara-me eu um dia nessa manta
Esses retalhos foram meu conforto
Cada um foi um caminho da jornada…

Agora descosida, ainda mais encanta
E nela me embrulho, junto ao Horto
Que já mostra o final da caminhada…

(Felipa Monteverde)

Opressão

Intimidas-me, tenho medo, não me sinto
À vontade estando na tua presença;
Tua voz soa-me tal e qual sentença,
Intimidas-me e eu me calo e consinto…

Tenho medo, medo de ti, da tua voz
Autoritária, opressora, sem carinho…
E pra esquecer tua presença em meu caminho
Eu me alheio… e assim já não tenho algoz…

Intimidas-me com teu ar tão opressor
Sempre sério, autoritário, que me prende…
E eu voo em liberdade, como um condor,

Voo livre, em alto céu e em chama ardente…
E me queimo e me vou ao seu calor
Pra não ouvir a tua voz tão deprimente…

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 2 de novembro de 2010

Ofertas


Ofereço-te estas flores, estas velas
E nada mais te posso oferecer...
Apesar de nunca mais te esquecer
Nada mais te ofereço, senão elas.

E dou-te estas flores e estas velas
Com o coração ferido e a sangrar...
Lembrando o que dói tanto lembrar...
E ter de dar-te ofertas tão singelas...

Neste Dia de Finados, eu te dou
Apenas o que posso, estas flores
E as velas que acendo para ti...

Choro... recordo que te foste... e estou
Tão cheia de amarguras e de dores
Que desde que partiste eu morri…

(Felipa Monteverde)

domingo, 10 de outubro de 2010

Se te fores embora

Jura, que se fores um dia embora
Recordarás sempre quem eu sou...
Sabes que meu coração o teu namora
E persegue o teu amor, que me marcou...

Se saires daqui, daqui pra fora
Jura que lembrarás o que passou...
Minha alma te anseia e se demora
A recordar o quanto se entregou...

Não sei quem realmente és, desconheço
O teu verdadeiro ser
Amo-te e para mim és um mistério...

Mas, se pensas ir embora, reconheço
Que sinto tanto medo de perder
Alguém que nunca me levou a sério...

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Mero nada

Trago no coração a dureza da jornada
E o cansaço de esperar eternamente
Por algo que não vem e a que fujo, assustada,
Destruindo ilusões que a minha alma já não sente.

Fujo à esperança na fadiga desta estrada
Que percorro a passo lento, erroneamente…
Há algo que desejo e que de mim me traz ausente,
Numa espera que destrói e se transforma em mero nada.

Sou azul num céu vermelho, água em fogo,
Penumbra de uma luz onde me jogo
E me atiro cegamente... pra não ver

Que me canso em existir, em ser quem sou… e tudo
Que não quero mora em mim, prendendo-me a um jugo
Nas cadeias de uma espera que me atou a um vão viver…

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 6 de julho de 2010

Segredo

É óbvio que te amo, que te trago no meu peito
Que só por ti respiro, por ti vivo, por ti morro
Desfaleço em caminhos que hoje em dia não percorro
Sem enxergar sentidos de um sentido insatisfeito…

É óbvio que te espero, que te quero, que te aceito
Que só por ti existo… mas não vens em meu socorro
Nestes caminhos tristes em que me apresso e corro
E desfaleço por ti, tão sem ti, meu doce amor que idealizei perfeito…

Mas o óbvio é tantas vezes mal compreendido
Mal aceite, desentendido e nos olhos desmentido…
E eu desfaleço nesta dor que não se acalma

Sem perceber razões de um segredo mal guardado
E que ninguém entendeu… ninguém viu que era roubado
Ao temor de te perder, de te encontrar, de te entregar o meu amor e a minha alma…

(Felipa Monteverde)

Dedicado a M.C. Lima

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Ao luar

Vi o luar cinzento que marcava o meu destino
Nas sombras que conheço muito bem.
Nos caminhos, um pobre e louco peregrino
Gritava amores que eram dores de ninguém…

A lua extinguiu-se, como um sonho clandestino
Que receia ser olhado e aos olhares se abstém.
Nos caminhos, um pobre e louco peregrino
Segue no escuro amores que são dores que ele tem...

Também eu serei a louca, a insana
Percorrendo caminhos e veredas ao luar
Gritando amores… meretriz e leviana

Só por ti… por ti padeço esta vontade de gritar,
De chorar paixões… nesta fantasia lhana
Que é o meu modo de ser e de sofrer por tanto amar…

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 19 de maio de 2010

É tarde e chove

(Soneto continuado...)

I

É tarde e chove.
Tarde na noite, no dia?
Não sei, que o mar não devolve
Pecados que eu cometia.

Águas profundas, sargaços,
Marés de acre odor, breve
Postal em que abraços
Se trocam… e há neve

Sob a pele que me namora
E sinto frio o meu nome
Sinto-te frio por fora…

Sinto saudades do mar
De praias, águas, da fome
Que nunca quis saciar...


II

É tarde e chove.
Tarde na noite, no dia?
Não sei, que já meu sonho se encolhe
Já a lembrança é bravia

E não obedece ao tempo
Em que a quis renascer.
São sonhos? Divagações e lamentos,
O resto… não sei nem quero saber.

Só sei na pele arrepios
Na lembrança desencantos
E águas mil, os pés frios

E a fome vinda do mar.
Sonho e trevas, com seus mantos
A envolverem-me o olhar…


III

É tarde e chove.
Tarde na noite, no dia?
Não sei, quiçá apenas me move
O medo que te esquecia.

Sonhos, tremores, quebrantos
Ó marés, ó águas mil
Por que me abris vossos mantos
E me atraís ao ardil

Em que me negais ventura
Apenas me aproximais
Cada vez mais da negrura

Em que me afundo e desmaio
Quando vos sinto iguais
Aos abismos em que caio?


IV

É tarde e chove.
Na alma, no tempo, no mundo
E só a treva me envolve
Só seu abraço é profundo.

Sonhos e trevas, compassos
De fadas, monges, promessas
Quebradas nestes abraços
De mar e sal. Velórios, essas

Em que me exponho à nudez
Deitada em caixão vazio
À sombra de dois ou três

(Ou até de quatro) mastros
De um assombrado navio
Que se perdeu dos meus braços…

(Felipa Monteverde)

domingo, 9 de maio de 2010

Ausência

Na existência de uma vida torturada
És tu o meu carrasco… meu algoz…
E há ausência de sentidos, onde nada
Se move, por temor à tua voz…

Existência sem ser vida… onde após
As lembranças, resta a madrugada…
Vãs e eternas ilusões, numa toada
Em que se vive a dois, sem sermos sós…

Será que reconheço esta existência?
Será que é comum esta ausência
Presente em nós… em mim… em ti?

Recordo vagamente… tenho a ideia
De um dia entrar numa cadeia
Onde o tempo parou… parou… e eu não vi…

(Felipa Monteverde)

Sol-posto

No dia em que te vi, o sol nasceu
O mundo se encheu de luz e cor
Teus olhos tinham a cor do amor
Teu rosto, feito luz, resplandeceu…

Quando olhei para ti, me pareceu
Que tinha à minha frente um esplendor,
A ofuscante e radiosa luz do amor…
Era tal como ver os anjos do céu!

No dia em que te vi, me enamorei
Desse brilho que emanava do teu rosto,
Na luz do teu olhar eu me ceguei…

Quando olhei para ti… tive o desgosto
De tu seres tudo aquilo que sonhei
E para ti eu não ser mais do que sol-posto…

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Hoje é o dia do meu aniversário

Photobucket

Hoje é o dia do meu aniversário
Um dia bem feliz, que passarei
De um modo nada extraordinário
Mas junto dos amores que alcancei.

Terá mais uma conta o meu rosário
Em que vou contando os dias que passei
Lentamente caminhando ao calvário
Carregando uma cruz que abracei...

Mas sou feliz, imensamente, tão feliz...
Jamais poderia deixar de o ser
Ao ver em que consiste a minha vida:

Amor, família, amigos, bens que quis...
São, sobretudo, razões para viver
Contente, sempre a Deus agradecida...

(Felipa Monteverde)

Obrigada, amiga Helô, pelo miminho.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Eu não me irei matar

Não, com certeza eu não me irei matar
Não vou suicidar-me em acto de loucura…
O que escrevo é sem sentido, é um desabafar
Para iludir a minha desventura…

Leio Florbela Espanca…às vezes tento imitar
A poesia dolorosa de que ela é a figura…
Mas não, não penso em me matar
Que sempre nasce o sol após a noite escura…

Leio Florbela… E, como ela, já sofri
Como ela fui capaz de tanto amar e querer bem…
Como ela já chorei, como ela não escrevi

(Que o que escrevo estará sempre mais aquém
Do que o que ela escrevia e que eu já li…)
Mas não quero, como ela, ir tão cedo pro Além…

(Felipa Monteverde)

domingo, 25 de abril de 2010

Castelã das dores

Moro num castelo de espuma à beira-mar
Construído com as dores que alcancei…
Pedras tão dolorosas, num penar
Que em mim morava e que um dia arranquei.

Nesse castelo condenei-me a ir morar
Sozinha… jamais a alguém encontrei
Que comigo o quisesse partilhar…
Todos recearam essas dores que mostrei.

Moro em meu castelo, na espuma dolorida
Que envolve os meus sonhos ao luar…
Sozinha vivo bem a minha vida

Não sinto a falta de contigo estar…
Sou castelã das dores na areia ressequida
Onde as vagas dos meus medos me prometem embalar…

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Universo

Desliguei-me da memória que trazia
Presa a um destino triste que renego:
Já sei qual o enigma que escondia
A descolorida cor do teu segredo…

Falaste comigo sem dizer o que devias
Iludiste um nobre amor a que me entrego;
Perdeste-me num sonho em que dormias
Num abraço feito de desassossego…

E eu persegui um sentido tão abstracto
Em que me abstive de te ver e entender
E sabendo que estás em mim imerso…

Desliguei-me de um passado e triste facto
Onde me prendi a ti sem perceber…
Tomando um falso amor por universo…

(Felipa Monteverde)

Desprezo

São desprezo, não digas que não
As tuas demoras, e pronto o jantar…
E eu tão só, cansada de esperar…
São desprezo, compreendo então…

Está pronta a mesa pra servir
Tudo: pratos, talheres e pão…
E é desprezo, não digas que não,
Quando chegas já estou a dormir…

É desprezo, eu sei que é desprezo
O que sentes, o que te inspiro
O que em ti por mim está aceso…

E olhando o jantar arrefecido
Vem-me à ideia, como um grande peso
Teu desprezo, espada em que me firo…

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 5 de abril de 2010

Forte

Nunca pensei amar-te assim tão forte
Forte é o amor que te dedico, meu bem…
Bem te quero e amo e só na morte
Só a morte me separa de ti, mais ninguém.

Ninguém tanto na vida eu quis, és tu quem
Quem eu quero e me quer… minha sorte…
Sorte que eu sinto em mim, como um bem
Um bem que tenho ao te ter, nem na morte.

Nem na morte te deixo, amor, não, não deixo
Não te deixo morrer, antes morro por ti…
Por ti sofro ao te ter, ao te ter como tenho

Como tenho este amor, minha força, meu eixo
Um eixo que faz parte de um todo, aqui…
E aqui me tens, meu amor, meu engenho…

(Felipa Monteverede)

sábado, 20 de março de 2010

Confissão

Confesso-te um amor tão dolorido
Num coração tão sofredor e amante…
No meu peito bate um sonho ressequido
Na aridez desta dor dilacerante.

A ti confesso o meu amor banido
Dolente… num coração inquietante
Que na imensidão fica perdido...
Lua esquecida em Quarto Minguante.

Confesso este amor… o coração sofrido…
A mágoa e o tormento que me dás
Ao dizeres-me adeus, que se acabou…

Findou o teu amor por mim sentido.
A paixão que nos unia, agora jaz…
Mas confesso-te o amor que ainda te dou.

(Felipa Monteverde)

sábado, 13 de março de 2010

Astro-rei

No céu azul eu voei para ti
Para ti olhei e eras o meu Sol
Mas nesse céu tantas nuvens vi
Formou-se nevoeiro… e tu farol.

No céu azul tu eras o meu Sol
O Sol ardente, astro-rei aqui
E no meio das nuvens meu farol
Faroleiro de mim mas não de ti…

Meu Sol… e eu girassol carente
Rodando para ti o meu olhar
Olhando para ti no meu amor…

Amor por ti, em mim tão permanente
Tão cheio de carinho pra te dar
E tu meu Sol, meu astro-rei de dor…

(Felipa Monteverde)

sábado, 6 de março de 2010

A outra

Eu não sabia que te amava tanto
Até ver-te com outra… sabendo que és dela…
Eu via o meu amor como um encanto
E como por encanto não pensava nela.

Eu não sabia que te amava tanto
Até ver-te com outra, da minha janela…
E desde esse dia me sufoca o pranto,
Quando percebi que eras todo dela…

Eu sempre soube que lhe pertencias
Mas era noutra vida, uma vida que vivias
Sem mim, e que era coisa pouca…

Uma vida sem sentido, insignificante,
E por isso me fizeste tua amante:
A mulher impura… leviana… a “outra”…

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Amores

Amor: sonho e angústia, dor agreste
Que nos inunda o peito e o sentir…
Fétida noite, vaso de flor silvestre
Que seus ramos estende pra ferir

E nos entranha o peito, e se nos veste
De ilusórias falas… e ao ouvir
Esses cantares, a alma incauta investe
Contra a razão que a quer desiludir.

Amores: ai sentidos ingratos e pagãos
Que perseguis na noite a lassidão
Das almas sofredoras, fáceis presas

Das vossas investidas enganosas…
Prometeis alvos sonhos, alvas rosas
E nada mais nos dais do que tristezas…

(Felipa Monteverde)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Beijo enganador

Beijaste-me a sorrir e eu pensei
Que me sorrias porque me amavas
E a sorrir também, eu te beijei…
Sem saber que assim me enganavas.

Beijaste-me a sorrir e eu nem sonhei
Que eu me dava mas tu não te davas…
Porque com o teu sorriso me encantei
Mas não era por amor que me beijavas...

Iludi-me com teu beijo enganador
Com esse sorriso de anjo mentiroso…
Pensei que o que sentias era amor

Mas era só divertimento… e gozo…
Depois partiste… e me deixaste nesta dor
De te amar… e te saber tão odioso...

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Eu não escrevo para intelectuais

Eu não escrevo para intelectuais
Porque a minha escrita é pobrezinha
Escrevo para os outros, os demais
Que têm alma de poeta igual à minha.

Não escrevo para quem sabe demais
Para quem me é superior e não caminha
Por ruas onde eu passo… mas para os tais
Que têm alma de poeta igual à minha.

Não escrevo pra quem sabe mais do que eu
Porque nunca me atreveria a tal
Que a vontade de escrever que Deus me deu

Não faz com que me saia este mal:
Iliterata… e tão singela, tão banal
Que o que escrevo é só um sonho de alma ao léu...

(Felipa Monteverde)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pensamento errante

Havia um pensamento errante
Que vagueava pela minha mente.
Por lá ia andando, lentamente
Até se tornar lúcido e constante.

E eu o afastava, esse habitante
Que me cansava os nervos e a mente
E me tornava dócil dependente
De pensar nele a todo o instante.

Havia um pensamento… mas tive de expulsá-lo
De o arrancar de mim a ferro e fogo
Como se estivesse cravado em minha pele.

Havia um pensamento… e agora recordá-lo
Faz-me desejar tê-lo em mim de novo
Dá-me um vazio imenso de ser ele…

(Felipa Monteverde)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Enganos

Hoje sei tudo o que ontem não sabia
Até sei de cor o número do teu B.I.
Sei o que fazes enquanto espero por ti
Sei em que ocupas todas as horas do dia.

Hoje sei tudo o que há a saber de ti
Até sei de cor toda a tua cantoria…
Porque sei tudo o que ontem não sabia
Sei o que fazes sempre quando sais daqui.

Hoje sei tudo… mas quisera não saber
Viver iludida nem que fosse mais um dia
Mas sei de tudo e nunca mais te quero ver…

Porque andava enganada e contigo eu me ria
Contigo me encontrava e estava feliz por ser
Tua namorada… mas não era… e não sabia…

(Felipa Monteverde)

Profundo

Profundo como o mar é o meu amor
E alto como o céu… também assim
Profunda no meu peito é a dor
Tão alta que parece não ter fim…

O amor que te tenho é assim…
E assim também será a minha dor
Porque tu não queres saber de mim
E profundo como o mar é o meu amor.

Oh, como dói… sentir amor profundo
E ser tão só, sem ter ninguém no mundo
Sem ter teu corpo para abraçar…

E profundo como o mar é o meu amor
Tão alta como o céu a minha dor
Porque te amo e tanto sofro por te amar…

(Felipa Monteverde)

Clamor

Se me amas tanto como dizes
Não o provas, nem um bocadinho…
E se outrora já fomos felizes
Há tanto parece, tão longo o caminho…

Se te amo… não to sei dizer
Já esqueci como é o teu carinho…
E já tanto na vida me deste a sofrer
Que o meu coração ficou triste e sozinho.

Será que me amas, será que te amo
Será que sentimos o mesmo de outrora?
Olhando os teus olhos parece-me engano

Não sei o que dizem, que sentem agora…
E neste silêncio entre nós eu te clamo:
Aprende a fazer-me feliz vida fora!...

(Felipa Monteverde)

Coração solitário

Sozinha estou, embora acompanhada
Anseio um sossego que não tenho
E no pouco silêncio que obtenho
Escuto e não oiço quase nada.

Quem pode entender a alma amargurada
Que em tudo vê um modo de sofrer?
Será assim tão difícil de entender
Que sej’alma tão só, embora acompanhada?

Ai coração, coração tão pobrezinho
Tão pobre de afectos e carinho
Por que me dás tanta e tanta dor?

Eu trago um coração que é tão sozinho
Que se encontrasse amor em seu caminho
Ai como o viveria e amaria com ardor!

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quando me beijas

Quando me beijas, nem sei bem o que sinto
Não sei ao certo o sabor do teu beijo.
Ósculos de pecado... e eu consinto
Enquanto a boca ilude o meu desejo.

Quando me beijas, outra boca pressinto
Outros lábios a beijar como eu te beijo.
Mistura de pecado... mel... absinto
Num sabor agridoce em que fraquejo.

Sabe-se lá um beijo de onde vem!...
Da tua boca, traz com ele tantas outras,
Tantas bocas já beijaste antes da minha...

E todas essas bocas também têm
O travo doce e frio a outras bocas
Que uma boca nunca beija outra sozinha...

(Felipa Monteverde)

domingo, 24 de janeiro de 2010

Ó minhas mãos

Ó minhas mãos tão frias, quem
Vos enregelou nessa redoma breve
Que envolveu o meu silêncio no Além
E que calou no meu peito a dor mais leve?

Quem vos fadou destinos de ninguém
Quem vos largou em sombras de alva neve?
Ó minhas mãos tão frias, quem
Não vos paga o tanto amor que já vos deve?

Frias, brancas, esmaecidas… sim
Vós sois o fiel retrato de mim
Que assim me dou e ninguém me acarinha

Mãos tão frias… mas tenho a alma quente
E sinto amor e dor por toda a gente
E sinto-me tão só… gelada… pobrezinha…

(Felipa Monteverde)

sábado, 23 de janeiro de 2010

As rosas

A rosa que me deste, amor, picou-me
Tantos eram os espinhos que ela tinha
Era uma bonita rosa e era minha
Mas com tantos espinhos magoou-me.

A rosa que me deste, amor, picou-me
Feriu meu coração e a alma minha
Tantos eram os espinhos que ela tinha
Que essa rosa… tão bonita… magoou-me.

Amor, tira os espinhos às rosas
Para que não firam o meu coração…
Apesar de serem flores tão formosas

Magoam a minha alma de paixão
Provocando penas dolorosas...
Como agudos gumes da traição…

(Felipa Monteverde)

Os rios correm para o mar

Os rios correm para o mar
As águas das marés enchem os rios
É simplesmente um receber e dar
É dar e receber sem falsos brios.

Também eu te entrego beijos sem cessar
Mas os teus lábios para mim são frios
Recebes sem quereres também dar
E o que me dás são gestos fugidios…

Ávida de sentidos e desejo
E és afinal apenas sonho meu
Um sonho que dormi sem acordar

E eu continuo a dar-me em cada beijo
Sem receber em troca um gesto teu
Que me faça ser feliz só por te amar…

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Sonho lindo

Esta noite eu tive um sonho lindo
Um sonho de amor e amizade
Era sonho ansiado e tinha vindo
De outro sonho e de outra realidade.

E na alegria deste sonho, findo
Com o nascer do dia e a claridade
Eu hoje ando a cantar e rindo
Na minha ânsia de sonhar verdade.

Sonhei um sonho, um sonho bom e belo
Um sonho que seria bom vivê-lo
Porque a realidade é dura e crua...

E guardo esse sonho, não o quero esquecer
Nunca será real, nunca o irei viver
Mas foi tão bom sonhar que eu era tua...

(Felipa Monteverde)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O que sente quem ama

O que sente o peito de quem ama
Quando vê o rosto bem amado
Quando ouve o som tão desejado
Sua voz, que suave nos chama?

O que sente o peito de quem ama
Ao olhar essa face adorada
E beijá-la, na ânsia sonhada
Beijos tais que penetram na alma?

O que sente quem ama assim
Com loucura e ternura e paixão
É o céu, é inferno, é um penar sem fim

Na loucura voraz que nos rouba a razão.
O que sente quem ama assim
Só seu peito o sabe, só o seu coração…

(Felipa Monteverde)

Hoje fui ao mar

Hoje fui ao mar para ver se te via…
Com pena, no mar não te pude encontrar
E esperei tanto, na maré vazia
Cansei os meus olhos, cansei meu olhar.

Hoje fui ao mar para ver se te via
Para o mar olhei e no mar não te vi
E tanto esperei, durante todo o dia
Que meus olhos, cansados, fugiram dali.

Hoje fui ao mar para ver se te via
E do mar não gostei, pois ele me dizia
Que na imensidão de toda a sua água

Jamais eu te veria, já lá não estavas
De mim tu fugias, sozinha ficava
E espraiou-se o mar em toda a minha mágoa…

(Felipa Monteverde)