Olá, seja bem-vindo.
Este blog foi criado no dia 21 de Janeiro de 2010. Será um blog em que apenas publicarei sonetos, nada mais do que sonetos. Espero que os apreciadores deste estilo de poesia me visitem e comentem, façam críticas, para eu melhorar o que tiver de ser melhorado e me alegrar com o que estiver bem feito. Obrigada. FELIPA MONTEVERDE

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Ideal de amor

Por um ideal de amor segui teus passos
pelos caminhos da esperança e da loucura,
deixando-me envolver em doces laços
que só me trouxeram dor e amargura...

Fiz o que querias, segui pelos teus traços...
obedeci, ansiando receber de ti ternura...
mas a vida só me deu tristes e baços
sonhos, mortos numa noite escura...

Era um ideal de amor que eu queria
era um sonho assim que eu perseguia
era poder amar, amar, amar...

Mas o amor traiu esse ideal
deixou-me entregue à semente do mal
que pelo coração me quis matar...

Felipa Monteverde

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Doce enlevo

Quando recordo as flores, os poemas, os abraços
Tudo em mim se enternece... ri... e canta...
Até a minha alma docemente se espanta
No silêncio dos teus beijos... dos teus passos...

Se recordo as tardes, os passeios, os teus braços
Sinto a envolver-me uma loucura santa
Como um invisível véu... que me encanta
E liga a esse amor... e fico prisioneira desses laços...

Outrora, há tanto tempo!... Tudo era alegrias...
O amor doce poema que me oferecias...
Os teus braços o abrigo mais seguro...

Por isso te recordo... com saudade...
Com aquele amor que a idade
Tornou ainda mais forte... ainda mais puro...

Felipa Monteverde

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Na penumbra

Minha alma adormeceu no teu regaço
e os sonhos povoaram o meu sono.
O meu corpo era ânsia de abraço
e deixei-me assim ficar ao abandono.

Dormindo em teu regaço, no teu colo,
minha alma descansava de cansaços.
Os meus sonhos já sentiam o consolo
recebido do calor desses teus braços.

Sinto que a penumbra me acalma
que renova o amor e o sentido
de amar, amar e renascer...

E neste abandono da minh'alma
esqueço toda a dor que tenho tido
e deixo-me embalar e adormecer...

Felipa Monteverde

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Travessia

Na noite chuvosa que atravessei
Fantasmas do passado apareceram
Para relembrarem medos que guardei,
Recordações que se desvaneceram…

Atravessei a noite... e os medos que vieram
Dissiparam-se na chuva em que os molhei.
Depois não os vi mais, desapareceram
Infiltraram-se na terra onde os deitei.

Na madrugada, aurora deste dia
Surgiu nova esperança, nova luz,
Novo sentir de vida tão premente!

Parou a chuva… os medos que trazia
Acabaram… e de novo o sol reluz!
Atravessei a noite e estou contente.

Felipa Monteverde

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Passado

Saudades? Sim, tenho bastantes,
O desejo de ver-te é imenso…
E de cada vez que em ti penso
Recordo que já nada é como dantes.

Tanto tempo passou… o bom senso
Diz-me que agora és feliz. Antes
Assim, prefiro que te rias e que cantes,
É assim que as saudades venço…

Amor, quem dera que esta vida
Fosse feita mais à nossa medida…
Mas se tu és feliz, eu sou feliz,

Alegra-me a tua felicidade,
Aos poucos vou esquecendo a saudade
E deixo de ouvir o que ela diz…

Felipa Monteverde

terça-feira, 12 de abril de 2011

Abandono


Nas palavras sempre doces que te disse
Ardia amor por ti, em branca chama,
Mas permiti ao teu amor que me ferisse
Deixei-te destruir a minha alma.

Deixei que o teu corpo possuísse
O meu corpo enamorado, que te ama;
Deixei que esse prazer me iludisse
Abri-te os lençóis da minha cama.

Mas tu feriste de paixão o meu amor
Cravaste no meu peito esta dor,
Roubaste-me a razão e a alegria...

Trocaste-me por outra, que vendeu
O que o meu amor te ofereceu
Mas que para ti nada valia…

Felipa Monteverde

domingo, 13 de março de 2011

Silêncio

Procuro a cadeia dos teus braços,
Onde me prendo a ti e adormeço.
Silêncio! Não se ouçam os passos
Do ciúme e da angústia em que enlouqueço…

É amor, só amor o que te peço…
Carinho e ternura, os teus abraços
Onde, confiante, me despeço
Da amargura que me envolve com seus laços…

Serei tua esta noite, na escuridão
Em que se esquece a alma e o coração
E os corpos se entregam com ternura…

Depois - silenciosamente - dormirei,
Na cadeia dos teus braços calarei
A chegada do ciúme e da loucura…

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

O dia em que te vi

Andei caminhos tão desencontrados
Que me perdi do dia em que te vi...
Perdi-me até dos sonhos mal amados
Que nasceram quando eu nasci...

Andei por aí perdida, nesses lados
Onde mora o dia em que te vi,
Procurando amor entre os bocados
De lembranças espalhados por aí...

Fugi ao medo... à aventura... à dor
De te perder ou encontrar... e assim
Fui refúgio de um erro, um dissabor

Que escondi entre o musgo do jardim,
Para agradar a quem é mal maior
Do que todos os que há dentro de mim...

(Felipa Monteverde)

sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Pó da estrada

Eu sou o acre pó da tua estrada,
O verme mais nojento, rastejante...
Sou a triste essência de ser nada,
Um pequeno avo, algo insignificante…

Eu sou aquela flor já desfolhada,
Uma ilusão que passou num só instante…
Sou a promessa mil vezes já quebrada
E esta imensa dor dilacerante…

Sou a terra que desprezas e que pisas,
Sou o que tu não queres nem precisas,
Sou as pedras da calçada em teu caminho…

Sou o que não tem valia nem valor,
Tudo o que há de indigesto, de pior...
Sou um cacto… uma chaga… um espinho…

(Felipa Monteverde)

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

“Invejidades”

Não adianta querermos agradar à inveja
Nada do que se faça lhe agradará…
Que cada um se ponha como se deseja,
Melhor lema do que este acho que não há…

Ao invejoso jamais algo bastará
Pois em seu coração tudo que vê deseja…
E nada do que façamos lhe agradará,
Tudo quer e anseia e nada lhe sobeja…

Já tentei agradar… claro que não agradei
Apenas aumentei o sentimento
Que o invejoso em seu peito nutria…

E de tentar agradar já me deixei:
Agora sou quem sou, sem fingimento
Com paz e amor no coração e uma imensa alegria!

(Felipa Monteverde)

domingo, 2 de janeiro de 2011

Desejos

Eu quero e não quero ser aquilo que sou
Quero e não quero o que queria ser…
E tanto que o quis que o querer acabou,
Sem querer e sem ser como queria viver.

Não quero o que quero e não posso ter…
Não posso querer o que alguém me vedou…
E me vedo o querer, na ânsia de saber
Que não vivo e não quero e a alma o desejou…

Eu sei o que posso e não poderei ter…
Sei o que posso e não devo sonhar…
E vivendo assim, conhecendo o querer

Sonhando estou… sem querer nem cuidar
Que vivo e não vivo por não o saber,
Que quero e não quero deixar-me matar…

(Felipa Monteverde)

Fantasmas

Quando estou sozinha, nunca estou só
Logo os meus fantasmas aqui me vêm ver:
Pensamentos, lembranças, que não quero ter
Me visitam e eu fico de mim a ter dó.

Sou uma enjeitada, que o não quer ser…
Mais vale ser pobre que pobre coitada,
Mais vale iludida que ser enganada,
Mais vale o não ser do que o parecer…

Não sei que pareço a olhos alheios,
Só sei que aos meus desagrada me ver.
Sou uma enjeitada, com tantos receios

Que me parece só males haver
Na minha pessoa… tantos e tão feios,
Tais são os fantasmas comigo a viver…

(Felipa Monteverde)

(Este soneto tem mais de 10 anos, hesitei em publicar porque lhe vejo muitos defeitos. Como não consigo corrigir, aqui vai.)