Olá, seja bem-vindo.
Este blog foi criado no dia 21 de Janeiro de 2010. Será um blog em que apenas publicarei sonetos, nada mais do que sonetos. Espero que os apreciadores deste estilo de poesia me visitem e comentem, façam críticas, para eu melhorar o que tiver de ser melhorado e me alegrar com o que estiver bem feito. Obrigada. FELIPA MONTEVERDE

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Amores

Amor: sonho e angústia, dor agreste
Que nos inunda o peito e o sentir…
Fétida noite, vaso de flor silvestre
Que seus ramos estende pra ferir

E nos entranha o peito, e se nos veste
De ilusórias falas… e ao ouvir
Esses cantares, a alma incauta investe
Contra a razão que a quer desiludir.

Amores: ai sentidos ingratos e pagãos
Que perseguis na noite a lassidão
Das almas sofredoras, fáceis presas

Das vossas investidas enganosas…
Prometeis alvos sonhos, alvas rosas
E nada mais nos dais do que tristezas…

(Felipa Monteverde)

domingo, 21 de fevereiro de 2010

Beijo enganador

Beijaste-me a sorrir e eu pensei
Que me sorrias porque me amavas
E a sorrir também, eu te beijei…
Sem saber que assim me enganavas.

Beijaste-me a sorrir e eu nem sonhei
Que eu me dava mas tu não te davas…
Porque com o teu sorriso me encantei
Mas não era por amor que me beijavas...

Iludi-me com teu beijo enganador
Com esse sorriso de anjo mentiroso…
Pensei que o que sentias era amor

Mas era só divertimento… e gozo…
Depois partiste… e me deixaste nesta dor
De te amar… e te saber tão odioso...

(Felipa Monteverde)

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

Eu não escrevo para intelectuais

Eu não escrevo para intelectuais
Porque a minha escrita é pobrezinha
Escrevo para os outros, os demais
Que têm alma de poeta igual à minha.

Não escrevo para quem sabe demais
Para quem me é superior e não caminha
Por ruas onde eu passo… mas para os tais
Que têm alma de poeta igual à minha.

Não escrevo pra quem sabe mais do que eu
Porque nunca me atreveria a tal
Que a vontade de escrever que Deus me deu

Não faz com que me saia este mal:
Iliterata… e tão singela, tão banal
Que o que escrevo é só um sonho de alma ao léu...

(Felipa Monteverde)

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

Pensamento errante

Havia um pensamento errante
Que vagueava pela minha mente.
Por lá ia andando, lentamente
Até se tornar lúcido e constante.

E eu o afastava, esse habitante
Que me cansava os nervos e a mente
E me tornava dócil dependente
De pensar nele a todo o instante.

Havia um pensamento… mas tive de expulsá-lo
De o arrancar de mim a ferro e fogo
Como se estivesse cravado em minha pele.

Havia um pensamento… e agora recordá-lo
Faz-me desejar tê-lo em mim de novo
Dá-me um vazio imenso de ser ele…

(Felipa Monteverde)

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Enganos

Hoje sei tudo o que ontem não sabia
Até sei de cor o número do teu B.I.
Sei o que fazes enquanto espero por ti
Sei em que ocupas todas as horas do dia.

Hoje sei tudo o que há a saber de ti
Até sei de cor toda a tua cantoria…
Porque sei tudo o que ontem não sabia
Sei o que fazes sempre quando sais daqui.

Hoje sei tudo… mas quisera não saber
Viver iludida nem que fosse mais um dia
Mas sei de tudo e nunca mais te quero ver…

Porque andava enganada e contigo eu me ria
Contigo me encontrava e estava feliz por ser
Tua namorada… mas não era… e não sabia…

(Felipa Monteverde)

Profundo

Profundo como o mar é o meu amor
E alto como o céu… também assim
Profunda no meu peito é a dor
Tão alta que parece não ter fim…

O amor que te tenho é assim…
E assim também será a minha dor
Porque tu não queres saber de mim
E profundo como o mar é o meu amor.

Oh, como dói… sentir amor profundo
E ser tão só, sem ter ninguém no mundo
Sem ter teu corpo para abraçar…

E profundo como o mar é o meu amor
Tão alta como o céu a minha dor
Porque te amo e tanto sofro por te amar…

(Felipa Monteverde)

Clamor

Se me amas tanto como dizes
Não o provas, nem um bocadinho…
E se outrora já fomos felizes
Há tanto parece, tão longo o caminho…

Se te amo… não to sei dizer
Já esqueci como é o teu carinho…
E já tanto na vida me deste a sofrer
Que o meu coração ficou triste e sozinho.

Será que me amas, será que te amo
Será que sentimos o mesmo de outrora?
Olhando os teus olhos parece-me engano

Não sei o que dizem, que sentem agora…
E neste silêncio entre nós eu te clamo:
Aprende a fazer-me feliz vida fora!...

(Felipa Monteverde)

Coração solitário

Sozinha estou, embora acompanhada
Anseio um sossego que não tenho
E no pouco silêncio que obtenho
Escuto e não oiço quase nada.

Quem pode entender a alma amargurada
Que em tudo vê um modo de sofrer?
Será assim tão difícil de entender
Que sej’alma tão só, embora acompanhada?

Ai coração, coração tão pobrezinho
Tão pobre de afectos e carinho
Por que me dás tanta e tanta dor?

Eu trago um coração que é tão sozinho
Que se encontrasse amor em seu caminho
Ai como o viveria e amaria com ardor!

(Felipa Monteverde)

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Quando me beijas

Quando me beijas, nem sei bem o que sinto
Não sei ao certo o sabor do teu beijo.
Ósculos de pecado... e eu consinto
Enquanto a boca ilude o meu desejo.

Quando me beijas, outra boca pressinto
Outros lábios a beijar como eu te beijo.
Mistura de pecado... mel... absinto
Num sabor agridoce em que fraquejo.

Sabe-se lá um beijo de onde vem!...
Da tua boca, traz com ele tantas outras,
Tantas bocas já beijaste antes da minha...

E todas essas bocas também têm
O travo doce e frio a outras bocas
Que uma boca nunca beija outra sozinha...

(Felipa Monteverde)